[125] J - Na manifestação ou fenômeno tal como Kant o pensa, devemos também fazer a experiência de contraposição.
P - Isso é necessário não apenas para compreender Kant devidamente, mas, sobretudo, para perceber em sua originariedade o manifestar-se da manifestação, se é que se pode falar assim.
J - Como é que se há de fazer isso?
P - Foram os gregos que, pela primeira vez, fizeram a experiência e pensaram os φαινόμενα, os fenômenos como tais. Nesta experiência, contudo, permaneceu-lhes completamente estranha a transformação do vigente em objectividade da contraposição; φαίνεσθαι significa por-se a brilhar e aparecer em seu brilho. Aparecer fica sendo, destarte, o traço fundamental no do vigente, à medida que este se lança no descobrimento.
J - No título Expressão e Manifestação, o senhor emprega então o segundo termo no sentido grego?
P - Sim e não. Sim, uma vez que "manifestação" não significa os objetos enquanto objetos, muito menos e, de forma alguma, como objetos da consciência, isto é, da consciência de si mesmo.
J - Em suma, não é manifestação no sentido kantiano.
P - Mas não basta distinguir-se de Kant, mesmo quando se emprega o termo "objeto" para dizer o vigente; enquanto insiste e subsiste em si mesmo e se recusa a interpretação kantiana da objetividade, ainda não se pensa a manifestação no sentido grego. No fundo, embora de forma muito velada, se pensa cartesianamente a partir do eu, como sujeito. [126]
J - Mas com o "não", o senhor também indica que não pensa a manifestação em sentido grego.
P - Tem razão. É difícil esclarecer do que se trata. Pois todo esclarecimento requer aqui uma visão simples e livre.
J - Evidentemente, isto ainda é coisa rara. Em geral, identifica-se sem nenhuma crítica a maneira como o senhor determina e usa manifestação com o sentido grego do termo. Além disso, considera-se