A obra efectua este elaborar da terra na medida em que ela própria se retira na terra. Porém, o encerrar-se da terra não é um permanecer-coberto uniforme e imóvel, mas desdobra-se numa plenitude inesgotável de modos e figuras simples. Certamente que o escultor usa a pedra assim como o pedreiro, ao seu modo, faz uso dela. Mas não gasta a pedra. Isso só se passa, de certa maneira, aí onde a obra fracassa. É certo que também o pintor usa a matéria que as cores são, contudo, de modo que a cor não se gaste, mas só então chegue a brilhar. Sem dúvida que também o poeta usa a palavra, não, porém, como têm de gasta-la aqueles que habitualmente falam e escrevem, mas de tal modo que a palavra só então se torna verdadeiramente palavra e permanece, de forma essencial, a ser palavra.
Algo como uma matéria-prima não está a ser em parte alguma da obra. É até mesmo duvidoso que, na determinação essencial do utensílio, seja encontrado aquilo de que ele é feito, no seu estar-a-ser com carácter de utensílio, se for caracterizado como matéria.
O levantar de um mundo e o elaborar da terra são dois traços essenciais do ser-obra da obra. Mas estão em [37] co-pertença na unidade do ser-obraa. Procuramos esta unidade ao meditarmos o estar-em-si da obra e ao tentarmos levar à expressão aquele repouso fechado e uno do assentar-em-si.
Porém, com os traços essenciais referidos, o que demos a conhecer na obra - embora [possa ser] algo de plausível — foi sim um acontecer e de modo nenhum um repouso. Pois, o que é o repouso senão o que se opõe ao movimento? Não é, certamente, uma oposição que exclua, mas antes que inclua em si o movimento. Só aquilo que se move pode repousar. Consoante o tipo do movimento,
a 3.a edição (1857): Apenas aí? Ou aqui apenas no modo construído.
[46]