assim será o modo do repouso. No caso do movimento como simples mudança de sítio de um corpo, o repouso é, sem dúvida, apenas o limite do movimento. Quando o repouso inclui o movimento, pode haver um repouso que é um recolhimento interior do movimento, que é, portanto, a máxima mobilidade, supondo que o tipo do movimento [em causa] exige um tal repouso. É, porém, deste tipo o repouso da obra que repousa em si. Por isso, aproximamo-nos deste repouso quando conseguimos alcançar de forma coesa a mobilidade do acontecer do ser-obra. Perguntamos: que relação põem à vista, na obra ela mesma, o levantar de um mundo e o elaborar da terra?
O mundo é a abertura que se abre das longas vias das decisões simples e essenciais do destino de um povo histórico. A terra é o surgir diante, não impelido para nada, daquilo que constantemente se encerra, e que, assim, põe a coberto. Mundo e terra são essencialmente distintos e, no entanto, nunca estão separados. O mundo funda-se na terra e a terra irrompe pelo mundo. Só que a relação entre mundo e terra não se reduz de maneira alguma à unidade vazia dos opostos que não têm nada que ver [um com o outro]. O mundo aspira, no seu assentar sobre a terra, a fazê-la sobressair. Sendo aquilo que se abre, não suporta nada de encerrado. Contudo, a terra inclina-se, como aquilo que põe a coberto, a implicar12 e a reter em si o mundo.
O confronto de mundo e terra é um combate. Sem dúvida que falseamos com demasiada facilidade a essência do combate, na medida em que confundimos a sua essência com a discórdia e com a desavença, e em que só o conhecemos como distúrbio e destruição. No combate
12 N. T. Em sentido etimológico: de implicare (in, plicare), significando plicare 'dobrar'. Implicar é reter envolvendo nas suas dobras, e daí confundir, i. e. esconder.
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