entendemos o estar-revelado [Offenbarkeit] do ente, estar revelado esse que nos insere e liga ao ser do ente em cada caso, de acordo com a maneira de ser do ente que aqui chega ao estar-revelado. O que é verdadeiro para nós neste sentido de verdade chega e sobra para o curso da vida de um homem.
Não faz falta uma verdade insípida que seja verdade para todos e por isso não vincule ninguém. Uma verdade não se torna menos verdade pelo facto de não poder ser destinada a todos. Mas, mesmo que todo e qualquer homem dê o acordo a uma verdade, esta verdade não precisa de ser verdadeira; e, inversamente, um indivíduo pode estar na verdade, na qual os outros não estão porque não estão maduros para ela. Por isto esta verdade não se torna porventura falsa.
Ora, o que acontece com a seguinte reflexão: se até [80] para nós não há verdade absoluta, então, pelo menos, tem de ser absolutamente verdadeira a afirmação “não há verdade absoluta”. Com isso, sempre existe verdade absoluta e a afirmação “não existe verdade nenhuma” é abalada.
O encadeamento deste raciocínio é um artifício formal. A partir da frase “não há verdade absoluta”, não se segue que a própria frase seja verdade absoluta: é apenas verdadeira para nós. Importa tomar a sério o conhecimento de que nós, na verdade, estamos sempre num certo âmbito e nível da verdade, mas que, contudo, exactamente com esta mesma abertura do ente é já posto e acontece um encobrimento [Verborgenheit] das coisas, até mesmo uma dissimulação e recalcamento, e que esta não-verdade não está inofensivamente junto da verdade, como num tapume, mas
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