manifestabilidade do ente enquanto tal para22 o ser-aí humano. O nada não fornece pela primeira vez um conceito oposto ao ente, mas pertence originariamente ao essenciar23 mesmo. No ser do ente acontece o nadificar do nada.
Mas agora devemos dar finalmente voz a uma objeção já por um tempo demasiado reprimida. Se o ser-aí só pode assumir um comportamento em relação ao ente na auto-retenção no nada, se, portanto, somente assim pode existir; e se o nada só se torna manifesto originariamente na angústia, não devemos nós, então, pairar constantemente nesta angústia para, afinal, podermos existir? Não reconhecemos nós mesmos que esta angústia originária é rara? Antes [116] de tudo, porém, nós todos existimos de qualquer modo e nos comportamos em relação ao ente que nós não somos e que nós mesmos - sem essa angústia. Não é ela uma invenção arbitrária e o nada a ela atribuído, um exagero?
Ora, mas o que quer dizer: essa angústia originária não acontece senão em momentos raros? Não outra coisa senão: o nada nos é de início e na maioria das vezes dissimulado em sua originariedade. Por meio do que afinal? Pelo fato de nos perdermos, de determinada maneira, completamente no ente. Quanto mais nos voltamos para o ente em nossas ocupações, tanto menos o deixamos se evadir enquanto tal e tanto mais voltamos as costas para o nada. E tanto mais seguramente, contudo, nos jogamos na superfície pública do ser-aí.
E, no entanto, é este constante, ainda que ambíguo voltar as costas para o nada que se mostra, em certos limites, como o sentido seu mais próprio. Ele, o nada em seu nadificar, nos remete justamente ao ente24. O nada nadifica ininterruptamente, sem que saibamos propriamente algo sobre essa nadificação com o conhecimento no qual nos movemos cotidianamente.
22. 5a edição de 1949: não “por meio de”.
23. 5a edição de 1949: essência: verbal; essenciar do ser.
24. 5a edição de 1949: porque no ser do ente.