330 Marcas do caminho

de existência e {GA 9: 317} essência. Quando falo da “força silenciosa do possível”, não estou me referindo ao possível de uma possibilidade que nos representamos, não é a potência enquanto essência de um ato da existência, mas o ser ele mesmo que, querendo, exerce sua capacidade sobre o pensar e, assim, sobre o ser do homem, o que significa, sobre sua relação com o ser. Aqui, ser capaz de alguma coisa significa: preservá-la em sua essência, mantê-la em seu elemento.

Quando cessa o pensar, afastando-se de seu elemento, então ele substitui esta perda valorizando-se como τέχνη, como instrumento de formação; por isto, como atividade acadêmica e, posteriormente, como empreendimento cultural. E aos poucos a filosofia torna-se uma técnica de explicação a partir das causas supremas. Já não pensamos, apenas nos ocupamos com a “filosofia”. Em franca concorrência, essas ocupações se apresentam ao público como um... ismo, umas buscando superar as outras. O domínio que exercem estes títulos não é por acaso. Baseia-se - e isto sobretudo na Modernidade - na ditadura característica da opinião pública. Por si só, a assim chamada “existência privada” ainda não é, em todo caso, o ser essencial, livre, do ser humano. Ela simplesmente se aferra à negação do âmbito público, mas continua sendo apêndice dependente e se alimenta de seu mero retirar-se do público. Assim, contra sua própria vontade, testemunha sua escravidão à opinião pública. A própria opinião pública, por sua vez, é a instauração e a outorga de poder metafisicamente condicionadas, uma vez que oriundas do domínio da subjetividade, à abertura do ente em meio à objetivação incondicionada de tudo. É por isto que a linguagem é colocada a serviço como intermediadora nas vias de comunicação, às quais se estende a objetivação como a acessibilidade uniforme de tudo para todos, desprezando todo e qualquer limite. Deste modo, a linguagem é submetida à ditadura da opinião pública. É a opinião pública que decide de antemão o que é compreensível e o que deve ser descartado como incompreensível. O que foi dito sobre {GA 9: 318} “o impessoal” em Ser e tempo (1927), nos parágrafos 27 e 35, de modo algum deve ser reduzido a um contributo secundário à sociologia. Mas o


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