"impessoal” tampouco se refere apenas à imagem oposta, compreendida de maneira ético-existenciária, do ser próprio da pessoa. Ao contrário, o que se disse ali contém a indicação à pertinência inicial da palavra com o ser e essa indicação é pensada segundo a verdade do ser. Esta relação permanece oculta sob o predomínio da subjetividade que se apresenta como opinião pública. Mas se a verdade do ser se tornou digna de ser pensada para o pensar, então também a reflexão sobre a essência da linguagem precisa alcançar um outro nível. Já não pode mais ser mera filosofia da linguagem. É só por isto que (§ 34) Ser e tempo contém uma indicação da dimensão essencial da linguagem, tocando na questão simples que pergunta: em que modo do ser a linguagem é sempre linguagem enquanto tal? O esvaziamento da linguagem, que avança violentamente e se estende com rapidez por toda parte, não corrói apenas a responsabilidade estética e moral em todos os usos da linguagem. Provém de uma ameaça da essência do ser humano. Um mero uso cuidadoso da linguagem ainda não demonstra que escapamos deste perigo essencial. Este tipo de uso poderia, quem sabe, expressar, antes, que nem sequer vemos nem podemos ainda ver este perigo, porque ainda não nos postamos em sua mirada. Em todo caso, a decadência da linguagem, que ultimamente vem sendo muito e largamente comentada, já com um certo atraso, não é o motivo, mas uma consequência do fato de a linguagem, sob o predomínio da metafísica da subjetividade moderna, ir decaindo de seu elemento de modo quase irrefreável. A linguagem ainda nos nega sua essência: qual seja, o fato de ela ser a morada da verdade do ser. Antes, a linguagem se abandona ao nosso mero querer e empreender como um instrumento de dominação sobre o ente. Esse ente mesmo mostra-se como o real na trama de causa e efeito. Vamos ao encontro do ente como o real contabilizando e manipulando, mas também lançando mão de explicações e fundamentações científicas e filosóficas. A garantia de que alguma coisa não pode ser esclarecida também pertence a tais explicações e fundamentações. Com este tipo de afirmações pensamos nos deparar {GA 9: 319} com o mistério, como se, assim, estivesse