como um título adequado a essa filosofia. No entanto, a proposição principal do “existencialismo” não tem minimamente nada em comum com aquela frase de Ser e tempo; sem levar em conta que, em Ser e tempo, nem sequer se pode expressar uma tal frase sobre a relação entre essentia e existentia, pois ali o que está em questão é a preparação de algo pre-cursor. E segundo se disse, isto acontece de modo muito desajeitado. Isto que deveria ser dito ainda e pela primeira vez hoje poderia tomar-se talvez um estímulo para conduzir a essência do homem a que, pensando, venha a dar atenção à dimensão da verdade do ser nela vigente. No entanto, também isto só poderia acontecer a cada vez em nome da dignidade do ser e em prol do ser-aí, sustentado pelo homem ek-sistindo, mas não por causa do homem, a fim de que, por meio de seus atos, se façam valer civilização e cultura.
Para que nós homens de hoje alcancemos a dimensão da verdade do ser, porém, para que possamos meditá-la, estamos às voltas com a tarefa de esclarecer pela primeiríssima vez como o ser diz respeito ao homem e como o interpela. Essa experiência essencial nos acontece quando nos damos conta de que o homem é na medida em que ek-siste. Digamos isto mais uma vez na linguagem da tradição; e, então, isto significa: a ek-sistência do homem é sua substância. É por isto que sempre nos deparamos uma vez mais em Ser e tempo com a seguinte frase: “a substância do homem é a existência” (p. 117, 212, 314). Só que, pensando a partir da história do ser, “substância” já é a tradução encobridora de οὐσία, palavra que designa a presentidade do que se presenta e, {GA 9: 330} na maioria das vezes, se refere igualmente ao que se presenta, ele mesmo, a partir de uma ambiguidade enigmática. Se pensarmos o termo metafísico “substância” neste sentido que já paira em Ser e tempo em conformidade com “a destruição fenomenológica” ali realizada (cf. p. 25), então a frase “a ‘substância’ do homem é a ek-sistência” nada mais diz do que: o modo em que o homem, em sua própria essência, se presenta em relação ao ser é o ek-stático postar-se no interior da verdade do ser. Por meio desta determinação da essência do homem, as interpretações humanistas do homem como