referência é assim como é não com base na ek-sistência, mas é a essência da ek-sistência que, de maneira destinamental, é existencial-extática a partir da essência da verdade do ser.
A única coisa que o pensamento, que tentou se expor pela primeira vez em Ser e tempo, buscava alcançar era algo simples. Como um tal algo simples o ser permanece misterioso, a proximidade simples de um imperar que não se impõe à força. Essa proximidade17 essencializa-se como a própria linguagem. Só que a linguagem não é mera linguagem, na medida em que nós, quando muito, a representamos como a unidade de uma forma fonética (signo escrito), melodia, ritmo e significação (sentido). Imaginamos que a forma fonética e o signo escrito são como o corpo da palavra, enquanto a melodia e o ritmo são como a alma e o significado, como o espírito da linguagem. Imaginamos a linguagem, em geral, a partir da correspondência em relação ao ser humano, na medida em que este é representado como animal rationale, isto é, como a unidade de corpo-alma-espírito. No entanto, como na humanitas do homo animalis, a ek-sistência permanece velada, e como, por meio dela, fica velada a referência da verdade do ser ao homem, assim também a interpretação metafísico-animal da linguagem encobre a essência ontológico-historial da linguagem. De acordo com essa essência, a linguagem é a casa do ser, apropriada pelo ser em meio ao acontecimento e estabelecida pelo ser. Por isto há que se pensar a essência da linguagem a partir de sua correspondência com o ser, e, em verdade, como essa correspondência, ou seja, como morada da essência do homem.
Mas o homem não é apenas um ser vivo que, ao lado de outras faculdades, possui também a linguagem. Ao contrário, a linguagem é a casa do ser; e, nela morando, o homem ek-siste, na medida em que, guardando a verdade do ser, a esta pertence.
14. 1a ed. 1949: no sentido de vizinhança: manter disposto de maneira clarificadora, manter como guardar.