destino, isto significa: ele se dá e se nega ao mesmo tempo a si mesmo. Mesmo assim, a determinação hegeliana da história enquanto progresso do “espírito” não é inverídica. Tampouco é em parte correta e em parte falsa. É tão {GA 9: 336} verdadeira quanto é verdadeira a metafísica, a qual pela primeira vez em Hegel traz sua essência à linguagem, pensada de modo absoluto, no sistema. A metafísica absoluta, com suas inversões levadas a cabo por Marx e Nietzsche, pertence à história da verdade do ser. O que dela surge não pode ser atacado nem sequer afastado por refutações. Só pode ser acatado na medida em que sua verdade retorna e se guarda de modo mais originário no próprio ser, subtraindo-se à mera opinião humana. Toda refutação no campo do pensar essencial é tola. A disputa entre os pensadores é a “disputa amorosa” pela coisa mesma. Ajuda-os mutuamente em sua pertença simples ao mesmo, a partir do qual encontram o que é próprio ao destino no destino do ser.
Supondo-se que, no futuro, o homem consiga pensar a verdade do ser, então ele estará pensando a partir da ek-sistência. Ele está postado no destino do ser ek-sistindo. A ek-sistência do homem é ek-sistência enquanto é histórica, mas não em primeiro lugar ou quiçá apenas porque no curso do tempo possam acontecer muitas coisas ao homem e às coisas humanas. É porque está em questão pensar a ek-sistência do ser-aí que é de uma importância tão essencial ao pensamento em Ser e tempo que se experimente a historicidade do ser-aí.
Mas em Ser e tempo (p. 212), quando se dá voz ao “dá-se”, não se diz que “é só na medida em que o ser-aí é que se dá o ser”? Sem dúvida. Isto quer dizer: é só enquanto a clareira do ser acontece apropriativamente, que sobrevém o ser ao homem. Visto, porém, que o aí, a clareira', se faz acontecimento apropriativo como verdade do próprio ser, então a destinação é do próprio ser. Este é o destino da clareira. Mas esta frase não significa: o ser-aí do homem no sentido tradicional de existentia, e, modernamente, pensado como a realidade do ego cogito, seria aquele ente pelo qual, pela primeira vez, se cria o ser. A frase não diz que o ser é um produto do