homem. Na introdução a Ser e tempo (p. 38) vem marcado de forma simples, clara e inclusive entre aspas o seguinte: “O ser é o pura e simplesmente transcendente”. Assim como a abertura {GA 9: 337} da proximidade espacial transcende toda e qualquer coisa próxima e distante, quando vista a partir da perspectiva desta, assim o ser é essencialmente mais amplo do que o ente, pois é a própria clareira. Ali, então, conforme o princípio que de imediato é inevitável na metafísica ainda dominante, o ser é pensado a partir do ente. É só nessa perspectiva que o ser se mostra numa transcendência e como tal.
A determinação introdutória que diz que “o ser é o pura e simplesmente transcendens” resume em uma frase simples o modo como a essência do ser se iluminou até o presente para o homem. Essa determinação retrospectiva da essência do ser do ente, vista a partir da clareira do ente como tal, continua sendo inevitável para esse ponto de partida, que pensa antecipadamente, referente à questão acerca da verdade do ser. É assim que o pensar testemunha sua essência destinamental. Querer iniciar tudo desde o começo e declarar falsa toda filosofia precedente, é um tipo de medida que deve ser afastada. Todavia, se a determinação do ser como o pura e simplesmente transcendente já estiver nomeando a essência simples da verdade do ser, então é esta e somente esta primeiramente a questão para um pensamento que intenta pensar a verdade do ser. É por isto também que na p. 230 se diz que é só a partir do “sentido”, isto é, só a partir da verdade do ser, que se pode compreender como é o ser. O ser ilumina-se ao homem em um projeto ek-stático. Mas esse projeto não cria o ser.
Além do mais, esse projeto é essencialmente um projeto lançado. O que lança no projeto não é o homem, mas o ser mesmo, que destina o homem à ek-sistência do ser-aí enquanto sua essência. Esse destino acontece apropriativamente como a clareira do ser, que ele é como tal. Essa clareira garante a proximidade com o ser. Nessa proximidade, na clareira do “aí”, o homem habita enquanto ek-sistente, sem que ele já consiga hoje experimentar propriamente e assumir esse habitar. A proximidade “do” ser, uma proximidade segundo a qual se mostra o “aí” do ser-aí, é pensada no interior