rouba a dignidade do que assim se avalia. Isto significa: quando se avalia alguma coisa como um valor, o que é avaliado é admitido na avaliação do homem apenas como objeto. Mas aquilo que algo é em seu ser não se esgota em sua objetividade, sobretudo quando a objetividade possui o caráter de valor. Mesmo onde é avaliado como algo positivo, todo valorar é uma subjetivação. Não permite ao ente ser; mas o atribuir valor só deixa o ente ter vigência meramente como objeto de seu fazer. O esforço estranho de demonstrar a objetividade do valor não sabe o que está fazendo. Quando se proclama a plenos pulmões que “Deus” é “o valor supremo”, isto é um rebaixamento da essência de Deus. Tanto neste caso quanto em qualquer outro, o pensar em valores é a maior blasfêmia que se pode pensar frente ao ser. Pensar contra os valores, portanto, não significa soar as trombetas para proclamar a ausência de valor e a nadidade do ente, mas significa: contra a subjetivação do ente, que o torna um mero objeto, colocar a clareira da verdade do ser diante do pensar.
A indicação para o “ser-no-mundo” como o traço fundamental da humanitas do homo humanus não está afirmando que o homem seria meramente um ser “secular”, compreendido em sentido cristão, ou seja, afastado de Deus e até desligado da “transcendência”. Com esta palavra, se está pensando o que, para maior claridade, se deveria chamar de o transcendente. O transcendente é {GA 9: 350} o ente supra-sensível. Esse é o ente supremo no sentido da causa primeira de todo ente. E imagina-se que essa causa primeira seja Deus. “Mundo”, porém, na expressão “ser-no-mundo”, de modo algum significa o ser terreno em distinção ante o celeste, tampouco o “secular” em distinção ante o “espiritual”. Naquela determinação, “mundo” não significa um ente e nem o âmbito do ente, mas a abertura do ser. O homem é e é homem, na medida em que é ek-sistente. Ele está postado na e a caminho da abertura do ser, abertura que é, como tal, o próprio ser, o qual, como jogada, jogou a si mesmo como a essência do homem “no cuidado”. E é assim “jogado” que se encontra o homem “na” abertura do ser. “Mundo” é a clareira do ser, na qual o homem, a partir de seu ser jogado, surge e se põe de pé. O “ser-no-mundo" nomeia a essência da ek-sistência na