“numinoso”, pensado com rigor, jamais atinge a essência dos deuses gregos, ou seja, que se fazem presentes no âmbito da ἀλήθεια. Ao âmbito essencial “do comando” pertence o “direito” romano, ius. A palavra tem a ver com jubeo, que significa: ordenar, deixar algo ser feito por ordenação e determiná-lo pelo fazer e deixar. O comando é a razão essencial da dominação do iustum, compreendido no latim como “ser no direito e “ter direito”. Segundo isso, a iustitia tem fundamento de essência inteiramente diferente do que aquele da δίκη, que surge da ἀλήθεια.

Comando, como fundamento essencial da dominação, inclui o ser superior, o qual é somente possível como a constante sobreelevação dos outros, que nisso são os inferiores. Na sobreelevação está presente, por outro lado, a habilidade de constante supervisão. [60] Dizemos também que “ver algo por cima” [übersehen] significa “dominar” [beherrschen] algo. Esta supervisão, que inclui a sobreelevação, envolve um constante “ser na espreita” [Auf-der-Lauer-liegen]. Este é a forma do agir que mantém a supervisão sobre tudo, mas se atém ainda a si: no latim, é a actio do actus. A supervisão panorâmica é aquele “ver” dominador, que vem à expressão numa palavra citada muitas vezes de César: veni, vidi, vici - eu vim, eu supervisionei [übersah] e eu venci. A vitória é somente a conseqüência da supervisão de César e do ver, que tem o caráter da actio. A essência do imperium repousa no actus da constante “ação”. A actio imperial da constante sobreelevação por cima dos outros inclui o sentido de que os outros, caso venham a se levantar para o mesmo ou semelhante nível de comando, sejam trazidos para baixo - em latim: fallere (particípio: falsum). Este levar à ruína [Zu-Fall-bringen] pertence necessariamente ao âmbito imperial. O levar à ruína pode acontecer no assalto e na subjugação “diretos”. Mas o outro também pode ser levado à ruína, de tal modo que recebe uma rasteira por detrás, de um modo furtivo. O “levar à ruína” é agora o subterfúgio [Hinter-gehen], o “truque” [Trick], cuja palavra não acidentalmente provém do “inglês”. Subterfúgio, considerado do exterior, é o levar à destruição de modo complicado, e, portanto, é mediado de maneira diversa à ação imediata de subjugar. Aqui o que é levado à destruição não é destruído, mas é, de certo modo, de novo elevado - no interior dos limites fixados por quem domina. Esta


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Martin Heidegger (GA 54) Parmênides