(desvelamento). ἀληθεύει ὁ λόγος (o discurso desvela), e, com efeito, o λόγος (discurso) qua λέγειν (falar). Mas, na medida em que to-do λόγος (discurso) é ao mesmo tempo um exprimir-se, um comunicar, o λόγος (discurso) recebe simultaneamente o sentido do λεγόμενον (o que é dito). E na medida em que é o λόγος (discurso) que ἀληθεύει (desvela), o λόγος (discurso) é qua λεγόμενον (aquilo que é dito) ἀληθής (verdadeiro — desvelador). Considerado rigorosamente, contudo, ele não o é. Na medida, porém, em que o falar é um ter se exprimido, na medida em que ele conquista na proposição uma existência própria, de tal modo que nela é conservado um conhecimento, o λόγος (discurso) qua λεγόμενον (o que é dito) pode Ser designado ἀληθής (verdadeiro — desvelador). Precisamente, esse λόγος (discurso) qua λεγόμενον (o que é dito) é o modo no qual a verdade de inicio se faz presente. No falar um com o outro mais imediato, nos nos mantemos junto ao falado, na escuta ao falado não é realizado necessariamente e a cada vez o conhecimento propriamente dito, de tal modo que eu, quando compreendo uma frase, não preciso necessariamente repeti-la em cada um de seus passos. Posso dizer "há alguns dias choveu", sem atualizar para mim o chover etc. posso emitir e compreender proposições, sem ter uma relação originária com o ente sobre o qual eu falo. Nesse caráter gasto propriamente dito, todas as proposições são repetidas e ai compreendidas. As ganham uma presença peculiar; nós nos orientamos (nos retificamos) por elas, elas se tomam correções, as assim chamadas verdades, sem que a originária do ἀληθεύειν (desvelamento) seja levada a termo. Constroem-se concomitantemente as proposições; juntamente com os outros, as repetimos de maneira fiel e crível. Assim, o λέγειν (falar) conquista urna liberdade e uma autonomia em relação aos πράγματα (ás coisas). Permanece-se no falatório. O modo como se fala sobre as coisas possui um caráter imperativo peculiar; nisso nós nos atemos, na medida em que procuramos nos orientar em geral no mundo e não podemos nos apropriar originariamente por nos mesmos de tudo. [26]
É esse λόγος (discurso) que foi visto pelo modo de consideração ulterior — que tinha perdido a posição originária — como aquilo que é verdadeiro ou falso. Sabia-se em relação a essa proposição