TRANSIÇÃO 251


géneros supremos de tudo aquilo que é? Ou será que esses caracteres do ser possuem estruturalmente outra relação com o ente?

Se considerarmos de maneira abrangente o desenvolvimento de todo esse modo de questionamento, ou seja, se considerarmos de maneira abrangente o modo de questionamento fundamental próprio ontologia, desde os gregos em geral e de Aristóteles em particular até o presente, podemos dizer que não fizemos de fato nenhum avanço, mas que, ao contrário, perdemos a posição que tinha sido alcançada pelos gregos e que, com isso, não compreendemos mais nem mesmo essa questão. Toda a Lógica hegeliana movimenta-se em uma incompreensão e em uma má compreensão de todas essas questões. Foi somente Husserl que, em conexão com a sua ideia da lógica, descobriu, por assim dizer, uma vez mais a pergunta acerca do sentido das determinações ontológicas formais, ainda que certamente apenas em um primeiro impulso, sem divida alguma muito importante. Não foi por nenhum acaso que essa questão veio à tona no contexto de uma clarificação da ideia da lόgica, uma vez que justamente — e, com isso, chegamos a uma caracterização conclusiva da ciência grega fundamental, da πρώτη φιλοσοφία (filosofia primeira) — essa ciência se encontra orientada em ultima instância pelo λόγος (discurso), mais exatamente: porque para ela o tema é o λόγος (discurso), na medida em que se trata do ὂν λεγόμενον, ou seja, do ente interpelado discursivamente, na medida em que esse ente é tema para o λόγος (discurso).38,39


b) O λόγος (discurso) como fio condutor para a pesquisa ontológica da σοφία (sabedoria). Explicação da função diretriz do λόγος (discurso) a partir da compreensão de ser grega


Na ideia da σοφία (sabedoria), Aristóteles procura, em verdade, tal como vimos, se lançar para além do λόγος (discurso) e seguir em direção ao νοεῖν (pensar), que é livre em relação ao λέγειν (dizer). Visto mais exatamente, porém, mesmo a sua determinação daquilo que é uma ἀρχή (um principio ultimo), daquilo



38 Observações marginais nos cadernos: ser e pensar.

39 Ver anexo


Martin Heidegger (GA 19) Platão o sofista