e para todo conhecimento filosófico o fato de que há uma verdade em si subsistente, como se diz, atemporal?
E assim que, de fato, argumenta-se na maioria das vezes e por toda parte. Clama-se veladamente pelo auxílio do saudável entendimento humano, trabalha-se com argumentos que não se mostram como fundamentos materiais, apela-se veladamente à atmosfera do entendimento vulgar, para o qual seria uma monstruosidade [314] se não houvesse nenhuma verdade eterna. De início, porém, é preciso dizer que conhecimento filosófico e conhecimento científico em geral não se preocupam com as consequências, por mais desconfortáveis que elas possam ser para o entendimento burguês. O que está em questão é a clareza sóbria, não enfraquecida, e o reconhecimento daquilo que vem à tona na investigação. Todas as outras consequências e tonalidades afetivas são insignificantes.
A verdade pertence à constituição ontológica do próprio ser-aí. Uma vez que se diz que a verdade é algo em si atemporal, surge o problema de responder em que medida a verdade não é declarada subjetiva por meio de nossa interpretação, o problema de explicitar em que medida toda verdade não é trivializada de maneira relativista e a teoria não decai aí sob o domínio do ceticismo: 2 mais 2 é igual a 4. Mas não pela primeira vez desde anteontem e apenas até depois de amanhã. Essa verdade, contudo, não depende de um sujeito qualquer. Como as coisas se encontram no que diz respeito à proposição: A verdade só é, se e até o momento em que há um ser-aí desvelador, verdadeiro, existente na verdade? As leis de Newton, com as quais se argumenta com frequência na interpretação da verdade, não estarão presentes por toda a eternidade e não eram verdadeiras antes de terem sido descobertas por Newton. Elas só se tornaram verdadeiras em e com o ter sido descoberto, pois esse ter sido descoberto é a sua verdade. Daí não se segue, porém, nem que elas, caso só tenham se tornado verdadeiras com a descoberta, eram falsas antes da descoberta, nem que elas se tornarão falsas quando o seu ter sido descoberto e seu desvelamento se tornarem impossíveis, isto é, quando não existir mais nenhum ser-aí. Antes de sua descoberta, as leis newtonianas não eram nem falsas,