nem verdadeiras. Mas isto não pode significar que o ente, que é descoberto com as leis desveladas, não tinha sido anteriormente do modo como ele também se mostrou depois da descoberta e do modo como ele é enquanto algo que assim se mostra. O ter sido descoberto, isto é, a verdade, desvela precisamente o ente enquanto aquilo que ele anteriormente já era, sem levar em conta seu ter sido descoberto e não ter sido descoberto. Como ente descoberto, ele se torna compreensível como aquilo que é assim como ele é e será, abstraindo-se de todo ter sido descoberto de si mesmo. Para que a natureza seja tal como ela é, ela não carece da verdade, isto é, do ter sido desvelado. A consistência relacional visada na proposição verdadeira "2 x 2 - 4" pode subsistir por toda a eternidade, sem que haja uma verdade sobre ela. Na medida em que há uma verdade sobre ela, essa verdade compreende precisamente o fato de que o que é visado nela não depende nela de seu ser-assim. Permanece uma suposição e uma afirmação arbitrária, porém, dizer que haveria verdades eternas, enquanto não estiver demonstrado de maneira absolutamente evidente que há uma eternidade e por toda eternidade existe algo assim como um ser-aí humano, que pode desvelar um ente segundo a sua constituição ontológica e se apropriar dele como algo desvelado. Enquanto enunciado verdadeiro, a proposição "2 x 2 - 4" só é verdadeira enquanto o ser-aí existe. Se por princípio nenhum ser-aí existisse mais, a proposição não seria mais válida; e não porque a proposição enquanto tal seria inválida, não porque ela teria se tornado falsa e 2 x 2 = 4 teria se transformado em 2 x 2 = 5, mas porque ter sido descoberto de algo como verdade só pode existir juntamente com o ser-aí existente descobridor. Não há nenhum argumento legítimo para que se possa pressupor Verdades eternas. Ainda mais supérfluo é o fato de pressupormos até mesmo que haveria algo do gênero da verdade. Uma teoria do conhecimento hoje dileta acha que, ante o ceticismo, precisaríamos pressupor antes de toda ciência e de todo conhecimento que haveria a verdade. Esse pressuposto é supérfluo, pois, na medida em que existimos, somos na verdade, somos desvelados para nós mesmos, assim como o ente intramundano que não somos nos é ao mesmo tempo desvelado