SER E TEMPO

se contrapõe essencialmente aos conceitos em que o ente alcança a determinidade de seu significado.

Na medida em que o ser constitui o perguntando — e ser significa ser de ente — resulta que aquilo a que se pergunta [o perguntável] na questão-do-ser é o ente ele mesmo. Este é como que interrogado a respeito de seu ser. Mas, para que possa dar sem falsificação os caracteres de seu ser, o ente deve antes tornar-se acessível assim como ele é em si mesmo. A questão-do-ser, no relativo ao perguntável, exige a conquista e a prévia segurança do correto modo-de-acesso ao ente. Mas damos o nome de “ente” a uma multiplicidade deles e em diversos sentidos. Ente é tudo aquilo de que discorremos, que visamos, em relação a que nos comportamos [7] desta ou daquela maneira; ente é também o que somos e como somos nós mesmos. Ser reside no ser-que e no ser-assim, na realidade, na subsistência, no consistente, na validade, no Daseina, no “dá-se”. Em qual desses entes o sentido deve ser colhidob, qual o ente de que a abertura do ser deve partir? A partida é indiferente ou um ente determinado tem uma precedência na elaboração da questão-do-ser? Qual é esse ente exemplarc e em que sentido ele tem uma precedência?

Se a pergunta pelo ser deve ser expressamente feita e executada na plena transparência para si mesma, então, segundo as elucidações dadas até agora, sua elaboração exige a explicação dos modos de dirigir o olhar ao ser, de entender e apreender conceitualmentc seu sentido, a preparação da possibilidade da escolha correta do ente exemplar e a elaboração do genuíno modo-de-acesso a esse ente. Olhar para, entender e conceituar, escolher, aceder a são comportamentos constitutivos do


a Ainda o conceito habitual e nenhum outro mais.

b Duas perguntas diversas, aqui ordenadas uma depois da outra; mal-entendido, sobretudo em relação ao papel do Dasein.

c Mal-entendido. O Dasein é exemplar porque e o parceiro que em sua essência como Dasein (guardião da verdade do ser) joga para e com o ser — trazendo o para dentro do jogo de ressonância.


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Martin Heidegger (GA 2) Ser e Tempo (Castilho)