de que sua sistemática dogmática repousa sobre um “fundamento” que não surgiu de um perguntar primário de fé e cuja conceituação não só é insuficiente para a problemática teológica, mas a encobre e desfigura.
Conceitos fundamentais são as determinações em que o domínio-de-coisa que fundamenta todos os objetos temáticos de uma ciência acede a um prévio entendimento, o qual conduz toda a sua investigação positiva. Por isso, esses conceitos só recebem sua autentica confirmação e “fundamentação” mediante uma correspondente prévia inspeção do domínio-de-coisa ele mesmo. Mas na medida em que cada um desses domínios é unicamente conquistado a partir de uma circunscrição efetuada no próprio ente, essa prévia pesquisa que cria conceitos fundamentais nada mais significa do que a interpretação desse ente quanto à constituição-fundamental de seu ser. Tal pesquisa deve preceder as ciências positivas e pode fazê-lo. E o que prova o trabalho de Platão e Aristóteles. Uma tal fundamentação das ciências difere por princípio da “lógica” de rabeira que investiga o estado ocasional de uma ciência em seu “método”. Ela é lógica produtiva, no sentido de que ela como que salta na frente para dentro de um determinado domínio-de-ser, abre-o pela primeira vez em sua constituição-de-ser e põe à disposição das ciências positivas as estruturas conquistadas como indicativos transparentes para a interrogação. Assim, por exemplo, o filosoficamente primário não é uma teoria da formação-do-conceito no conhecimento histórico e não o é também a teoria da história como objeto de conhecimento histórico, mas a interpretação do ente propriamente histórico em sua historicidade. E assim também que o resultado positivo da Crítica da razão pura de Kant [11] não consiste numa “teoria” do conhecimento mas na tentativa de pôr em relevo o que pertence a uma natureza em geral. Sua lógica transcendental é uma lógica-de-coisa a priori do domínio-do-ser natureza.
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