SER E TEMPO

pois sua essência reside em que, ao contrário, esse ente tem de ser cada vez seu ser como seu, escolheu-se para sua designação o termo Dasein como pura expressão-de-ser.

O Dasein sempre se entende a si mesmo, a partir de sua existência, a saber, a partir de sua possibilidade de ser si mesmo ou de não ser si mesmo. Essas possibilidades o Dasein ou as escolheu ele mesmo ou nelas foi ter ou nelas já cresceu cada vez. A existência é decidida cada vez só pelo próprio Dasein ou no modo de uma apropriação da possibilidade ou de um deixar que ela se perca. A questão da existência só pode ser posta em claro sempre pelo existir ele mesmo. O entendimento que conduz então a si mesmo, nós o denominamos entendimento existencial. A questão da existência é um “assunto” ôntico do Dasein. Para isso, não é preciso que haja a transparência teórica da estrutura ontológica da existência. A pergunta pela estrutura da existência visa à exposição do que constitui a existência'1. Damos o nome de existenciariedade à conexão dessas estruturas. Sua analítica não tem o caráter de um entendimento existencial, mas existenciário. A tarefa de uma analítica existenciária do Dasein quanto a sua possibilidade [13] e a sua necessidade já está prefigurada na constituição ôntíca do Dasein.

Agora, no entanto, na medida cm que a existência determina o Dasein, a analítica ontológica desse ente já requer sempre cada vez uma vista previa da existenciariedade. Mas esta nós a entendemos, porem, como constituição-de-ser do ente que existe. Todavia, na ideia de uma tal constituição-do-ser já reside a ideia de ser em geral. E, assim, a possibilidade de uma execução da analítica do Dasein depende também da previa elaboração da pergunta pelo sentido de ser em geral.

As ciências são modos-de-ser do Dasein nos quais este se comporta também em relação ao ente que ele mesmo não precisa ser. Mas ao Dasein é essencialmente inerente: o ser em um mundo. O


a Portanto, não filosofia da existência.


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Martin Heidegger (GA 2) Ser e Tempo (Castilho)