Toda pesquisa — e não por último a que se move no âmbito dessa questão central que é a questão-do-ser — é uma possibilidade ôntica do Dasein, cujo ser encontra seu sentido na temporalidade. Essa é, contudo, ao mesmo tempo a condição da possibilidade de historicidade como um modo-de-ser temporal do Dasein ele mesmo, abstração feita de se e de como ele é um ente sendo “dentro do tempo”. A determinação de historicidade e anterior ao que se chama de história (o acontecer de-história-universal). [20] Historicidade significa a constituição-de-ser do “gestar-se” do Dasein como tal, sobre cujo fundamento é unicamente possível algo assim como a “história universal” e o histórico a ela pertencente. O Dasein, em seu ser factual, é cada vez como já era e “o que” já era. Expressamente ou não, ele é seu passado, E não só no sentido de que seu passado como que desliza "atrás” dele, possuindo ele o passado como se fosse uma propriedade subsistente que por vezes volta a ter efeito sobre ele. O Dasein "é" seu passado no modo do seu ser, o qual, para dizer rudemente, “se gesta” cada vez a partir de seu futuro. Em cada modo de ser que lhe é próprio e portanto também no entendimento-de-ser que lhe é próprio, o Dasein ingressa numa interpretação-do-Dasein que lhe sobrevém e na qual ele cresce. A partir desta, ele se entende de imediato e, em certo âmbito, constantemente, Esse entendimento abre e regula as possibilidades de seu ser. Seu próprio passado — o que significa sempre o passado de sua “geração” — não segue atrás do Dasein mas, ao contrário, sempre o precede.
Essa historicidade elementar do Dasein pode permanecer oculta para ele mesmo. Mas pode ser também, de certo modo, descoberta, vindo a ser objeto de cultivo próprio. O Dasein pode descobrir tradição, conservá-la e investigá-la expressamente. A descoberta de tradição e a abertura do que
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