SER E TEMPO

Toda remissão é uma relação, mas nem toda relação é uma remissão. Toda “mostração” é uma remissão, mas nem todo remeter é um mostrar. Donde reside ao mesmo tempo que toda “mostração” é uma relação, mas nem todo relacionar é um mostrar. Dessa maneira fica claro o caráter universal-formal de relação. Para a investigação dos fenômenos da remissão, do sinal e mesmo da significação, nada se ganha3 caracterizando-os como relação. No final, deva-se mostrar que, em virtude de seu caráter universal-formal, a “relação” tem também ela mesma sua origem ontológica numa remissão.

Embora a presente análise se limite a interpretar o sinal em sua diferença com o fenòmeno-da-remissão, mesmo dentro dessa limitação [78] não se pode investigar adequadamente toda a multiplicidade dos sinais possíveis. Entre os sinais estão os sintomas, os presságios, os sinais precursores, os sinais retrospectivos, as insígnias, características cuja mostração é cada vez diversa, deixando totalmente de lado aquilo a que serve cada vez o sinal. Desses “sinais” é preciso separar: o rastro, o vestígio, o monumento, o documento, o testemunho, o símbolo, a expressão, o aparecimento, a significação. Fenômenos esses que podem ser facilmente formalizados com fundamento em seu formal caráter-de-relação; hoje estamos particularmente propensos à fácil submissão de todo ente a uma “interpretação” pelo fio-condutor de tal relação, sempre “satisfatória”, pois, no fundo, ela nada diz, do mesmo modo que nada diz o esquema, facilmente manejável, de forma e conteúdo.

Como exemplo de sinal escolhemos um sinal que numa análise posterior sirva também de modelo a partir de um outro ponto de vista. Ultimamente, os automóveis usam uma flecha giratória vermelha cuja posição, em um cruzamento, por exemplo, indica cada vez o caminho que o carro seguirá. A posição da flecha é regulada pelo condutor do veículo.

3 Fundamental para comprovar a possibilidade do pretendido pela Logística.


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Martin Heidegger (GA 2) Ser e Tempo (Castilho)