conhecimento rigoroso. Na medida em que esse factum do círculo no entender não pode ser eliminado, o conhecimento-histórico deve contentar-se com possibilidades menos rigorosas de conhecimento. Permite-se suprir em certa medida esse defeito pela “significação espiritual” de seus “objectos”. O ideal, na opinião do próprio historiador, seria que o círculo pudesse ser efetivamente evitado, restando a esperança de se criar um dia um conhecimento-histórico que seja tão independente, do ponto de vista do observador, quanto se supõe que o é o conhecimento-da-natureza.
Mas ver nesse círculo um vitiosum e ficar em busca de como [153] evitá-lo ou, pelo menos, “senti-lo” como inevitável imperfeição significa que se entende mal o entender a partir de seu fundamento. Não se trata de ajustar o entender e a interpretação a um determinado ideal-de-conhecimento, que ele mesmo nada mais é que uma anomalia de entendimento, deslocada na tarefa, em si legítima, de uma apreensão do subsistente, o qual por sua essência não pode ser entendido. O preenchimento das condições-fundamentais de um possível interpretar reside, ao contrário, em que não se desconheçam suas essenciais condiçóes-de-execução. O decisivo não é sair do círculo, mas nele penetrar de modo correto. Esse círculo do entender não é um círculo comum, em que se move um modo de conhecimento qualquer, mas é a expressão da existenciária estrutura-do-prévio do Dasein ele mesmo. O círculo não deve ser degradado em vitiosum nem ser também somente tolerado. Nele se abriga uma possibilidade positiva de conhecimento o mais originário, possibilidade que só pode ser verdadeiramente efetivada de modo autêntico, se a interpretação entende que sua primeira, constante e última tarefa consiste em não deixar que o ter-prévio, o ver-prévio e o conceber-prévio lhe sejam dados por ocorrências e conceitos populares, mas em se assegurar do tema científico mediante sua elaboração a partir das coisas elas mesmas. Porque o entender, segundo o seu sentido existenciário,
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