A substancialidade se torna a determinidade-fundamental do ser. Em correspondência com esse deslocamento de entendimento-do-ser desloca-se também o entendimento ontológico do Dasein no horizonte desse conceito-do-ser. O Dasein, assim como todo outro ente, é também um subsistente real. De sorte que o ser em geral recebe o sentido de realidadea. Por conseguinte, o conceito de realidade tem uma peculiar precedência na problemática ontológica. Ele bloqueia o caminho para uma genuína analítica existenciária do Dasein e já impede mesmo que o olhar se volte para o ser do imediato utilizável do interior-do-mundo. Ela força finalmente a problemática do ser em geral a seguir uma direção extraviada. Os restantes modi-de-ser são negativa e privativamente determinados por referência à realidade.

Por isso, não somente a analítica do Dasein, mas também a elaboração da pergunta pelo sentido de ser em geral devem se afastar de sua orientação unilateral para o ser no sentido de realidade. E necessária uma demonstração de que a realidade é não somente um modo-de-ser entre outros, mas está ontologicamente numa determinada conexão-de-fundamentação com Dasein, mundo e utilizabilidade. Essa demonstração exige uma discussão de princípio do problema da realidade, de suas condições e de seus limites.

Sob o título “problema da realidade” diversas questões se mesclam: 1. Se o suposto ente “transcendente à consciência” em geral é; 2. Se essa realidade do “mundo exterior” pode ser suficientemente provada; 3. Em que medida esse ente, se ele for real, pode ser conhecido em seu ser-em-si; 4. Que significa em geral o sentido desse ente, a realidade. A subsequente discussão do problema da realidade trata de três pontos relativos à pergunta ontológico-fundamental: [202] a) realidade como problema do ser e da demonstrabilidade do “mundo exterior”, b) realidade como problema ontológico, c) realidade e preocupação.


a “Realidade” como “realidade efetiva” e realitas como “coisidade”; uma posição intermédia do conceito kantiano de “realidade objetiva”.


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Martin Heidegger (GA 2) Ser e Tempo (Castilho)