fica-lhes, ao contrário, oculto, λανθάνει, o que fazem; ἐπιλανθάνονται, esquecem, isto é, voltam a se afundar na ocultação. Pertence, portanto, ao λόγος a não-ocultação, a ἀ-λήθεια. Sua tradução pela palavra “verdade” e, antes de tudo, as determinações conceituais teóricas dessa expressão encobrem o sentido do entendimento pré-filosófico que, para os gregos, estava “como-algo-que-se-entende-por-si-mesmo” no fundamento do emprego terminológico de ἀλήθεια.
O aduzir tais provas deve-se prevenir contra uma mística desenfreada [220] da palavra; não obstante caiba, afinal, à filosofia impedir que a força das palavras mais elementares, em que o Dasein se exprime, seja nivelada pelo intelecto comum em uma não-entendibilidade, cuja função consiste em ser fonte de falsos problemas.
O que foi antes17 exposto sobre o λόγος e a ἀλήθεια, numa interpretação como que dogmática, recebeu agora sua comprovação fenomênica. A “definição” de verdade proposta não se livra da tradição, mas dela se apropria originariamente: e o faz tão mais claramente, se consegue demonstrar que e como a teoria devia chegar à ideia da concordância, por ter sua fundação no fenômeno originário da verdade.
A “definição” da verdade como ser-descoberto e ser-descobridor não é também uma mera explicação-nominal, mas nasce da análise dos comportamentos do Dasein que costumamos chamar imediatamente “verdadeiros”.
Ser-verdadeiro como ser-descobridor é um modo-de-ser do Dasein. O que esse descobrir possibilita ele mesmo deve ser chamado necessariamente “verdadeiro” em um sentido ainda mais originário. Os fundamentos ontológi-co-existenciários do descobrir ele mesmo mostram pela primeira vez o fenômeno mais-originário da verdade.
17 Cf. pp. 43 ss.
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