O descobrir é um modo-de-ser do ser-no-mundo. A ocupação que vê-ao-redor ou o ficar olhando fixamente descobrem o ente do-interior-do-mundo. Este se torna o descoberto. Ele é “verdadeiro” em um segundo sentido. Primariamente “verdadeiro”, isto é, descobridor é o Dasein. Verdade, em um segundo sentido, não significa ser-descobridor (o descobrimento), mas ser-descoberto.
Mas pela análise anterior da mundidade do mundo e do ente do-interior-do-mundo mostrou-se: o ser-descoberto do ente do-interior-do-mundo se funda na abertura do mundo. Mas a abertura é o modo-de-ser-fundamental do Dasein, de conformidade com o qual, o Dasein é seu “aí”. A abertura é constituída pelo encontrar-se, pelo entender e pelo discurso e concerne, de modo igualmente originário, ao mundo, ao ser-em e ao si-mesmo. A estrutura da preocupação como adiantar-se-em-relação-a-si — já sendo em um mundo — como ser junto ao ente do-interior-do-mundo contém em si a abertura do Dasein. O ser-descoberto ocorre com ela e por ela; por conseguinte, só com a abertura do Dasein é atingido o fenômeno [221] mais-originário da verdade. O que foi mostrado anteriormente quanto à constituição existenciária do “aí”18 e relativamente ao ser cotidiano do “aí”19 só dizia respeito ao fenômeno mais-originário da verdade. Na medida em que o Dasein é essencialmente sua abertura e, aberto, abre e descobre, ele é essencialmente “verdadeiro”. O Dasein é “na verdade”. Essa enunciação tem sentido ontológico. Não significa que o Dasein, onticamente, esteja sempre ou cada vez inserido “em toda a verdade”, mas que a abertura de seu ser mais-próprio pertence à sua constituição existenciária.
Retomando o que foi conquistado anteriormente, pode-se reiterar, mediante as determinações que seguem, o pleno sentido existenciário da proposição — “o Dasein é na verdade”:
18 Cf. pp. 178 ss.
19 Cf. pp. 221 ss.
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