de Newton, o princípio da contradição e em geral toda verdade só são verdadeiros enquanto o Dasein é. Antes que houvesse em geral algum Dasein e depois de que já não haja Dasein, não havia e não haverá verdade alguma, porque a verdade como abertura, descoberta e ser-descoberto, já não pode ser então. Antes que as leis de Newton fossem descobertas, elas não eram “verdadeiras”, do que não se segue que fossem falsas, nem menos ainda que se tornariam falsas se já não fosse onticamente [227] possível nenhum ser-descoberto. Tampouco há nessa “restrição” uma diminuição do ser-verdadeiro das “verdades”.

Que antes dele as leis de Newton não eram nem verdadeiras nem falsas não pode significar que o ente por elas mostrado no seu descobrir não tenha sido antes. Essas leis se tornaram verdadeiras por meio de Newton; com elas certos entes se tornaram em si mesmos acessíveis ao Dasein. Com o ser-descoberto do ente, este se mostra precisamente como o ente que ele antes já era. Descobrir assim é o modo-de-ser da “verdade”.

Que se dão “verdades eternas” só será suficientemente demonstrado quando se conseguir provar que o Dasein foi e será por toda a eternidade. Enquanto essa prova faltar, a proposição não deixa de ser uma afirmação fantástica, que não ganha legitimidade porque os filósofos comumente nela “acreditam”.

Toda verdade, de acordo com seu essencial modo-de-ser conforme-ao-Dasein, é relativa ao ser do Dasein. Essa relatividade significa que toda verdade é “subjetiva”? Se “subjetivo” é interpretado como “submetido ao arbítrio do sujeito”, certamente que não. Pois o descobrir, de conformidade com seu sentido mais-próprio, retira a enunciação do arbítrio “subjetivo” e põe o Dasein descobridor diante do ente ele mesmo. E somente porque “verdade” como descobrir é um modo-de-ser do Dasein, pode ela subtrair-se ao seu arbítrio. A “validade universal” da verdade tem também sua raiz unicamente em que o Dasein pode descobrir ente em si mesmo


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Martin Heidegger (GA 2) Ser e Tempo (Castilho)